11/04/2009

Distimia

Vou falar sobre ela hoje. E não vou usar termos técnicos/científicos p'rá explicar os efeitos que esta doença gera na vida das pessoas porque não é necessário; basta jogar no google que essa resposta estará lá.
Vou falar sobre ela na minha vida. É, vou me expor mais um pouco. Existem coisas que precisam ser ditas, outras não. Não que meus problemas precisam ser descritos, mas eu preciso descrevê-los pelo fato de ser uma pessoa introspectiva. E não porque tenho que me justificar, mas preciso.
É difícil ser amigo de um distímico, quase um desafio. Poucas pessoas me entendem. A queda de humor repentina em algumas situações... Embora esse sintoma seja o que menos me prejudica ultimamente anda frequente.
As crises de angústia... Essas sim! Horas com explicação, horas sem.
Baixa auto-estima... Hum... Perigosa essa. Avassaladora. Hoje em dia tenho conseguido lidar melhor com ela, porque realmente tem surgido pessoas incríveis em quem tenho despertado lindos sentimentos. Essas pessoas não devem estar erradas. Mas a pessoa a quem quero despertar esse sentimento ainda não surgiu p'rá mim.
O medo. De errar, de não agradar, de não convencer. Medo de arriscar.
Desânimo: o pior de todos os males. É o responsável por eu não tentar, desistir.
Devido a esses fatores o isolamento veio fácil. Muitas vezes pensei que as pessoas tinham se afastado de mim, o que não deixa de ser verdade, pois muitas desistiram. Mas também outras vezes, quando abri os olhos, percebi que eu me afastei delas p'rá fugir, me esconder. P'rá não ter que dizer o que sentia. Por medo.
Muita gente ao ler isso vai pensar: "são coisas que atingem a todos em determinadas fases da vida, crises existenciais acontecem...". P'rá um distímico não. São constantes e perseguidoras. As pessoas comuns passam por esses momentos, mas conseguem se libertar porque enxergam além. O distímico é limitado. Sempre fui limitada. Como se enxergasse por uma janela suja... Do outro lado, a mesma imagem. Mas vejo pela janela suja e, constantemente, tenho que limpá-la. Consegui me condicionar a isso. Hoje percebo quando está empoeirada. Tempos atrás só conseguia com ajuda de remédios. Agora limpo por mim mesma, uma evolução, uma vitória mas, ainda assim, lidar sozinha com isso é difícil.
Porém, a cada dia, tenho superado todas as minhas dificuldades pessoais. Tenho me respeitado e me amado porque antes nem isso fazia. Tô vivendo minha vida, respeitando meus sentimentos. Derrubei meus próprios julgamentos. Dei um basta, decidi viver. Hoje sei quem sou, com e sem limitações, então ficou mais fácil lidar comigo mesma. Sei que tenho muito o que melhorar, mas ei, você que pensa em desistir de mim, me dê mais uma chance. E quem desistiu - lamento - perdeu uma grande pessoa. Porque eu sou uma boa pessoa. Ainda bem que hoje vejo isso.

15 comentários:

Solange lima disse...

Muito bom ser informada de algo que eu desconhecia. Nunca ouvi falar nessa doença e menos ainda que você tinha. Bem, para mim não mudou nada. Apesar de perceber tudo o que descreveu a seu respeito, sempre a admirei e amo falar com você mesmo quando está brava, rsrsrsrssrsrsr.... Bem, só vim dizer que não desisti e nem vou desistir de você e quando quiser conversar sabe onde me encontrar.
Parabéns pela coragem.

Paula Oliveira disse...

Oi Carolina, vi seu link na comunidade sobre Distimia. Li seu blog inteiro e me identifiquei muito com tudo que li! Você escreve muito bem e quando leio, tenho a impressão de estar lendo sobre mim mesma, fiquei impressionada! Ao mesmo tempo é bom e ruim saber q existem outras pessoas como eu. Bom porque sinto q não sou uma extraterrestre e ruim obviamente porque não é gostoso ter distimia... Bom, fico contente em poder ler seus escritos, passarei aqui mais vezes.

Beijo!

Paula

(defenestrações.blogspot.com)

lubasa disse...

li seu blog todo tava andando na comunidade de distimia
parecia q lia sobre minha propia pessoa e alguns dos mmeus grandes dilemas existencias q ateh hj não entendo muito bem =]
bom vou te seguir pra acompanhar seus posts
qualquer cois so mandar mail falecomlubasa @ gmail.com
c yaa

hugs

Anônimo disse...

Meu nome é Leda e acho que tenho essa doença,todos os sintomas batem e eu só ouvi falar de Distimia esse ano.
Eu sempre me achei "estranha" mas achava que fosse só o meu jeito.
Estou num ponto que só penso em morrer,só me pergunto:Porque tive que nascer?Porque não morri como minha irmã que não chegou a nascer?
Antes até que não era tão infeliz mas agora acho que por estar com quase 27 anos as coisas estão mais dificeis.

Graziela. disse...

muito bom o post,você se expressou muito bem.
"minha janela poém continua muito suja e eu ainda não consegui limpar ela"

Roberto disse...

Oi Carolina
Li seu depoimento sobre sua distimia, achei muito emocionante e fiquei orgulhoso de ver de como vc esta dando a volta por cima.Foi gratificante e exemplar para mim que tenho o mesmo problema que vc e sei claramento o que vc sente, me identifico com cada sentimento que vc descreveu. Luto e medito constantemente sobre como é a vida para pessoas como a gente, e a cada dia que adiciono um graozinho na minha melhora, chego a pensar que nao somos pessoas como uma doença emocional, mas sim pessoas que vivem em um mundo nada saudável, e só nos recentimos disso.e adoecemos tb.
Fique bem, e continue assim corajosa e sendo vc mesmo...

Abs
Roberto alvarenga

Karen Loise disse...

Oi Carolina, nossa realmente me identifiquei com voce.
Acho que tenho distimia, na verdade tenho certeza, mas ainda nao me disseram isso. Talvez porque poucas pessoas conhecem.
Eu tenho 14 anos, quase 15. Isso vem me atormentando a quase 2 anos e está cada vez pior. Achei que pudesse ser depressao mas percebi que nao era e comecei a procurar algo que explicasse tudo que eu estava sentindo, foi aí que descobri a Distimia, na hora levei um choque porque ao ler desabafos como o seu, sentia como se estivesse falando de mim mesma. As fugas, a confusao de sentimentos, o medo e todo o resto.
Se puder me adicionar no msn, eu iria agradecer KAREN_LOISE@HOTMAIL.COM
beijos

Mariléa... disse...

Olá Carol,
Meu nome é Mari, a dois anos atrás descobri que tenho Distimia, foi procurando informações sobre esta doença na internet, que achei seu Blog.
Muito interessante o que escreveu e me vi em tudo que disse, ando com crises, mas não sei como fazer para que as pessoas entendem isso.
È muito complicado e a cada dia que passa fica pior, tendo me afastado de muitas pessoas e elas de mim também.
Sei que preciso fazer um tratamento longo.
Força pra você.
Se quiser visitar meu Blog fique a vontade.

Mari

Nancy Love disse...

Eu passo por isso todos os dias,é uma dor terrivel de aguentar.Não posso pedir q os outros compreendam,mas doe ouvir,o quanto sou estranha,terrivel.A solidão parece ser a unica companhia,fico feliz que alguem conseguiu lidar com essa doença,mas eu ja estou perdendo o que ainda me resta de forças,e dificil lutar sozinha.
raizalonso@hotmail.com

Alexandre disse...

Boa noite,
Depois de perdas e por isentivo de minha mãe procurei um tratamento e foi detectado que sofro de distimia. Gostaria de uma ajuda para poder começar uma nova vida.

Desde já, grato pelo APOIO.

ALEXANDRE

Anônimo disse...

Olá, meu nome é Ana Paula e depois de muitos anos de sofrimento descobri que tenho distimia, comecei o tratamento com antidepressivo há poucos dias, gostei muito do seu depoimento porque você descreveu as mesmas dificuldade que eu passo, agora que sei que a culpa do mal humor não é minha, tenho que aprender a viver de maneira diferente. Estou muito esperançosa de que minha vida vai mudar daqui para frente. Obrigada!!

Birdee disse...

Carol, lendo o que vc escreveu parecia que eu estava lendo sobre a minha pessoa. Meu pai sempre dizia que eu era estranha, mas naquela epoca e como hj, e dificil de diagnosticar. tenho um psiquiatraque e psicanalista tb, ha 5 anos que achava que eu tinha DDAH, com trnastorno de adaptação, ansiedade generalizada. mas minha ex psico ,fiquei cm ela por 6 meses e ela descobriu a DISTIMIA, quando entrei no grupo e vi os sintomas..ai reconheci..adorei seu blog. e espero que ajudem outras pessoas tb..parabens...a pior parte e quando vc ja nao tem mais familia, mora sozinha com 12 gatos e adora se isolar...e o INSS nao concede beneficio para tal....incrivel...abraços a todos

Birdee disse...

Carol, lendo o que vc escreveu parecia que eu estava lendo sobre a minha pessoa. Meu pai sempre dizia que eu era estranha, mas naquela epoca e como hj, e dificil de diagnosticar. tenho um psiquiatraque e psicanalista tb, ha 5 anos que achava que eu tinha DDAH, com trnastorno de adaptação, ansiedade generalizada. mas minha ex psico ,fiquei cm ela por 6 meses e ela descobriu a DISTIMIA, quando entrei no grupo e vi os sintomas..ai reconheci..adorei seu blog. e espero que ajudem outras pessoas tb..parabens...a pior parte e quando vc ja nao tem mais familia, mora sozinha com 12 gatos e adora se isolar...e o INSS nao concede beneficio para tal....incrivel...abraços a todos

Roseli Batista Bueno Bueno disse...

olá!Faz pouco tempo que descobri que meu filho de 26 anos tem distimia e estou desesperada não estou sabendo lidar com a situação, tudo que ele faz ele não consegue terminar, o mal humor é constante, a pouco acabou um relacionamento no qual toda a família também sofreu e ele esta muito a balado, ele omite situações que acaba deixando ele e a família constrangidos,alguém poderia me ajudar?

Mariana Rafa disse...

Que lindo quando alguém não desiste da gente!
Tenho uma porção de pessoas que ja desistiram e pra caminhar sozinha? Kk e uma droga ter isso. Mas alivia saber que não é só eu que tenho isso por anos!